A dívida e a escolha.

Eliane vive uma vida marcada pela decepção, pelo desrespeito e pelas dívidas deixadas pelo marido irresponsável. Quando o cobrador Gustavo aparece na sua porta, carregado de seriedade, firmeza e uma presença que ela nunca viu em casa, algo dentro dela se transforma. Diante da impossibilidade de pagamento e da necessidade de se defender da vergonha e do sofrimento, ela propõe uma forma diferente de quitar o que é devido: entregar-se a ele, não só para cumprir um acordo, mas também para buscar reconhecimento, prazer e vingança contra uma realidade que a esmagava. A história explora desejos ocultos, a busca por valor próprio e a intensidade de uma relação que surge de uma negociação inesperada, onde limites são quebrados e novas sensações são descobertas.

ROMANCE ADULTO

Sussurros do Desejo.

5/31/20267 min read

Eu ouvi a campainha tocar e fui até a porta com o coração já pesado, sabendo muito bem quem seria. Nos últimos meses, a porta da minha casa só batia para trazer problemas, cobranças e vergonha. Quando abri, deparei com ele.

Gustavo.

Era o nome que eu tinha ouvido o meu marido murmurar várias vezes, sempre com medo, sempre como se fosse um fantasma. Mas o homem que estava ali parado na minha porta não parecia um fantasma. Tinha cerca de um metro e setenta e cinco de altura, pele morena clara, corpo definido, pouco forte, daquele jeito que mostrava que trabalhava ou se cuidava, sem ser exagerado. Os traços do rosto eram firmes, marcados, e havia nos olhos dele uma seriedade que prendia qualquer um que o encarasse. De primeira, achei que talvez não fosse exatamente o meu tipo... mas bastou ele me olhar com calma, com aqueles olhos intensos, para que eu sentisse algo estranho e quente se mexer dentro de mim, algo que eu não sentia há anos.

— Boa tarde. Procuro por Carlos. Ele está? — perguntou ele. A voz era grave, pausada, educada. Muito educada.

Abri mais a porta, deixando claro com o meu olhar e o meu silêncio que Carlos não estava, e muito menos resolveria coisa alguma se estivesse.

— Carlos não está. E se estivesse, não adiantaria falar com ele. Você provavelmente sabe melhor do que eu como ele é — respondi, com um amargor na voz que já fazia parte de mim há muito tempo.

Gustavo não fez menção de sair, nem de levantar a voz, muito menos de fazer qualquer ameaça ou movimento brusco, como eu já tinha visto outros homens fazerem por causa das dívidas que Carlos deixava acumular. Ele apenas ficou ali, parado, a postura ereta, as mãos na frente do corpo, uma firmeza que impunha respeito sem precisar de gritos. Coisa que eu não via dentro da minha casa há anos.

— Entendo, senhora...?

— Eliane — completei.

— Entendo, Eliane. Mas preciso ser bem claro com você. O valor que o seu marido deve é alto, e eu não tenho condições de esperar mais, nem de dispensar esse pagamento. Foi combinado, e ele sabe das regras. Eu preciso receber.

Ele falou com calma, palavra por palavra, olhando nos meus olhos. E naquele momento, ouvindo uma voz firme, uma fala coerente, um homem que sabia o que queria e não parecia estar bêbado, nem mole, nem fraco... eu senti uma coisa que me deu até medo de mim mesma.

Comparação.

Lembrei de Carlos. Do meu marido. Que mal trabalhava, que quando fazia algum bico, o dinheiro sumia logo em bebidas, ou pior, eu sabia — e todos na rua sabiam — que ele gastava com outras mulheres, em cantinas e esquinas, enquanto eu me matava de tentar manter a casa, o respeito, e um casamento que já estava morto há muito tempo. Eu vivia com uma criança grande, irresponsável, que não me olhava mais como mulher, que não me dava valor, que só me dava desprezo e dívidas.

E ali, parado na minha porta, estava Gustavo. Sério. Firme. Educado. Um homem de verdade. E contra a minha vontade, contra tudo o que eu achava que era certo, eu senti uma atração forte, quente, subindo pela minha espinha. Não era encantamento, não era amor... era desejo puro. Desejo de ser vista, de ser tratada com seriedade, e de, de alguma forma, me vingar de tudo o que eu vinha sofrendo.

Eu respirei fundo, tomei uma decisão que nasceu ali, naquele segundo, e que eu não pensei duas vezes antes de colocar para fora. Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós, e falei baixo, com uma segurança que eu não sabia que ainda existia em mim:

— Ele não vai pagar, Gustavo. Ele não tem dinheiro, e se tivesse, gastaria com qualquer coisa, menos com o que é certo. Eu sei disso melhor do que ninguém.

Ele franziu a testa ligeiramente, sem entender aonde eu queria chegar.

— Então como vamos resolver, Eliane? Eu preciso receber.

Eu olhei bem para ele, dos pés a cabeça, sentindo o meu corpo reagir, sentindo a raiva e a vontade se misturarem. E então, saiu a proposta, clara, direta, cheia de significados:

— Eu tenho uma forma de pagar. Uma forma que serve para mim, para você, e de quebra... será o melhor castigo que eu posso dar a ele.

Gustavo estreitou os olhos, agora com uma centelha de curiosidade e desejo brilhando ali também. Ele não era bobo. Ele percebeu tudo.

— Que forma é essa? — perguntou ele, a voz agora mais rouca, mais próxima.

— Eu não tenho dinheiro. Mas eu tenho algo que vale muito mais para mim, e talvez valha para você também — falei, e senti o meu rosto esquentar, mas não recuei. — Eu pago a dívida. Em espécie. Do jeito que você quiser. Eu me entrego a você. Faço o que você mandar, o que você desejar, até que eu ache que a dívida está paga. Ninguém precisa saber. E para mim... será bom saber que, enquanto ele está por aí se achando o homem, eu estou aqui, me entregando para um homem de verdade.

Era vingança, sim. Era a forma que eu encontrei de cuspir na cara de todo o desprezo que eu recebia em casa. Mas também era desejo. Eu queria ele. Queria aquela força, aquela seriedade, aquela postura que Carlos nunca teve. Queria me sentir dominada, cuidada, desejada por alguém que sabia o que fazer.

Gustavo ficou em silêncio por alguns segundos, que pareceram uma eternidade. Ele olhou para os lados, certificando-se de que ninguém passava, e depois voltou os olhos diretamente para os meus, e ali eu vi: ele aceitou. Ele queria tanto quanto eu.

Ele deu um passo para dentro de casa, fechando a porta devagar atrás de si, trancando o mundo lá fora. Quando se virou para mim, já não havia mais o cobrador educado. Havia um homem decidido, que segurou o meu queixo com a mão grande e firme, levantando o meu rosto para que eu o encarasse.

— Você tem noção do que está propondo, Eliane? — perguntou ele, baixo, perto dos meus lábios. — Porque se eu entrar nessa, eu vou mandar em tudo. Você vai obedecer. Vai ser minha. Entendeu?

Eu engoli seco, sentindo um calor absurto tomar conta de mim. Aquela palavra, aquela certeza, aquele poder dele sobre mim... me deixou molhada antes mesmo de qualquer toque. Era exatamente o que eu precisava. O que eu queria.

— Entendi — respondi, com a voz fraca de desejo. — É exatamente isso que eu quero. Que você mande. Que você tome o que é seu.

Ele sorriu, um sorriso pequeno, de vitória, e puxou-me contra o seu corpo. Senti a força dos braços dele me envolvendo, o cheiro bom, o coração batendo forte contra o meu peito. Quando ele me beijou, foi um beijo diferente de todos os que eu já tinha recebido na vida. Não foi um beijo de quem pede, foi um beijo de quem toma. Ele tomou a minha boca, invadiu, dominou, fez com que eu me entregasse completamente, esquecendo de tudo: do casamento, da dívida, da vida ruim que eu levava.

Naquele momento, eu não era a esposa desprezada. Eu não era a mulher cansada. Eu era apenas uma mulher, nos braços de um homem que sabia o que fazer.

Ele me guiou pela casa, com calma, com firmeza, mandando em mim com palavras baixas que me faziam arrepiar toda: "Vai devagar", "Abaixa a cabeça", "Olha para mim". Cada ordem era um estímulo, cada toque era uma confirmação de que eu tinha feito a melhor escolha da minha vida.

Quando ele me despiu, foi como se ele estivesse arrancando de mim todos os anos de sofrimento. Ele tocou o meu corpo como se conhecesse cada curva, cada ponto fraco, cada desejo escondido. Ele me fez deitar, me posicionou do jeito que ele quis, e eu deixei, eu quis, eu amei cada segundo dessa submissão voluntária.

Eu olhava para ele, nu, forte, a pele morena clara brilhando à luz da sala, o rosto sério mas com os olhos cheios de desejo por mim, e eu sentia uma satisfação que ia muito além do prazer físico. Era poder. Era vitória. Era eu finalmente sendo desejada por alguém que valia a pena.

Quando ele entrou em mim, devagar, forte, preenchendo tudo o que estava vazio há tanto tempo, eu arqueei as costas e soltei um gemido que ecoou pela casa. E na minha cabeça, enquanto ele me possuía com força, com ritmo, com uma intensidade que me deixava tonta... eu só conseguia pensar: "Que ele veja. Que ele saiba. Que ele saiba que a mulher que ele despreza, aqui, é tratada como uma rainha, e desejada como uma puta. Que ele saiba que outro homem tomou conta de tudo o que ele não foi capaz de tocar."

Gustavo me levou ao limite, me fez sentir coisas que eu nem imaginava que existiam, me dominou de todas as formas possíveis, sempre com aquela mistura de firmeza e um cuidado estranho, como se ele quisesse me deixar marcada para sempre. E eu deixei. Eu quis tudo.

Quando tudo acabou, ficamos ali, ofegantes, corpos ainda colados. Ele me olhou, passou a mão pelo meu cabelo, bagunçado, e disse baixo, com uma voz que deixou claro que nada ali tinha chegado ao fim:

— A dívida está paga, Eliane. Mas não se engane... isso aqui não acaba hoje. Eu não costumo encontrar algo de valor e deixar para trás. Eu vou voltar. Muitas vezes. E quando eu bater na porta, você vai estar pronta para me receber, do jeito que eu gosto, do jeito que eu mandar. Entendido?

Eu assenti, sentindo um arrepio delicioso percorrer o corpo inteiro só de imaginar o que ainda estava por vir. Ele se vestiu, arrumou-se com a mesma calma de quando chegou, e saiu pela porta da frente, como se nada tivesse acontecido.

Eu fiquei ali, sentada no sofá, nua, sentindo o meu corpo ainda vibrar, a pele arder de desejo saciado, e a alma leve. Olhei ao redor, para a casa que eu morava, para a vida que eu tinha... e sorri.

Carlos chegaria mais tarde, provavelmente bêbado, provavelmente com mais reclamações. Mas não importava mais. Eu tinha pago a conta de uma forma que ninguém poderia contestar. Eu tinha me vingado. E mais do que isso: eu tinha provado para mim mesma que, apesar de tudo, eu ainda podia ser desejada, possuída e dominada por um homem de verdade.

E agora, havia uma certeza nova, forte e excitante pairando no ar: ele voltaria. E na próxima vez, eu já estaria esperando.

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